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terça-feira, 7 de agosto de 2012

A importância da Administração Legal para os Escritórios de Advocacia


Por Moisés Costa


No intuito de obterem maior eficiência e qualidade em meio à competitividade, os escritórios de advocacia buscam uma modernização de suas estruturas organizacionais e administrativas, e o surgimento de novas bancas colocam os escritórios mais antigos numa preocupação frequente, que é a revisão de seus conceitos e métodos de gestão. 

Hoje, no campo da administração, várias ferramentas e modelos de gestão têm predominado no ambiente desses novos escritórios, que na maioria das vezes são criados por jovens advogados detentores de uma gama de informações privilegiadas. Esses jovens, nascidos a partir de 1980 (a chamada “Geração Y”), são profissionais que possuem a ousadia, a curiosidade e a determinação como características. Hoje é comum ter escritórios médios egressos de escritórios grandes, com novos pensamentos.

Escritórios de diferentes portes, ou até mesmo advogados que pretendem iniciar seu próprio negócio, são beneficiados pela utilização de novas soluções, pois os problemas são, na maioria das vezes, semelhantes. Muitos dos novos escritórios  esbarram em dificuldades na gestão por falta de planejamento prévio ou de uma estrutura organizada, e isso atinge também as grandes bancas. A diferença é que nos pequenos o declínio se dá num intervalo menor, comparado aos grandes, que possuem rotinas já definidas e que se perpetuam  ao longo do tempo e das crises. Para ambos o insucesso diante da concorrência e perda de talentos é certo. Nos dias atuais é cena comum profissionais promissores deixarem as grandes bancas por não enxergarem uma gestão compatível, ou que atenda a seus anseios. Isso sem contar o ambiente que não proporciona crescimento profissional, condições de trabalho adequadas e tecnologia avançada.

Muitos escritórios insistem em valorizar apenas o trabalho dos advogados, esquecendo que o administrativo tem vital importância nas atividades diárias. O gerenciamento eficiente das atividades internas dará o devido suporte aos advogados, liberando-os para a prática da advocacia, onde darão mais atenção ao cliente. Rotinas internas bem estruturadas e definidas aumentam a produtividade e libera o corpo jurídico para o acompanhamento forense, que é de vital importância. O advogado não pode apenas se ocupar com atividades internas vigentes do acompanhamento processual, pois é nos tribunais, repartições e congressos que ele trabalhará o network e a captação de clientes. O advogado precisa se mostrar, ser o cartão de visitas de seu escritório. 

O crescimento não planejado acontece em meio às crises internas, e à medida que vai aumentando o número de clientes e de processos reduz-se a flexibilidade e aumenta a complexidade dos problemas, e suas soluções tornam-se mais difíceis, exigindo a adoção de maiores controles. Isso ocorre por falta de padrões internos, o que leva a tomada de medidas nem sempre coerentes com os objetivos iniciais, e o advogado se vê envolvido em problemas de administração interna perdendo seu precioso tempo. Na figura de “advogado-administrador”, decisões são tomadas na intenção de solucionar os problemas que atingem a estrutura organizacional, e com o passar do tempo alguns controles vão deixando de existir e procedimentos vão ficando para trás, até o advogado ser surpreendido com a perda de um prazo processual. 

A figura do Administrador Legal se faz importante, pois o advogado deve gerar lucro, captar cliente e atender com qualidade e presteza. O advogado é o gerador de receita, portanto é necessário ter profissionais de outras áreas, não geradoras de receita, que sirvam de apoio à equipe jurídica, permitindo também que o advogado se atualize do ponto de vista intelectual e acadêmico. É fato que na maioria das vezes a figura do sócio é centralizadora, e isso deve mudar quando se busca uma profissionalização na sua gestão. O primeiro passo é aceitar que um grande escritório precisa ter profissionais capacitados em áreas específicas, como tecnologia, finanças, recursos humanos, planejamento estratégico, marketing¸ atendimento ao cliente, entre outras. 

Um escritório bem estruturado possui uma boa equipe jurídica e dispõe de um ou mais profissionais que se preocupam com todas as questões administrativas do escritório. Nesse caso, o advogado não pode esquecer que na advocacia, assim como em outros ramos, competências comportamentais e qualidades gerenciais se tornaram imprescindíveis para ascender na carreira. O advogado, por mais que se feche no universo jurídico, necessitará liderar equipes e gerenciar pessoas, e habilidades importantes deverão ser desenvolvidas, como liderança, comunicação interpessoal, capacidade de negociação, networking e conhecimento do mercado. Essa preocupação fará do advogado um profissional de sucesso, seja para quem trabalha em escritórios ou em departamentos jurídicos de empresas. Uma pesquisa da GVLaw, departamento de pós-graduação da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, indica que 80% dos advogados optam por adquirir conhecimento jurídico quando escolhem um curso de especialização ou pós-graduação, por acharem pouco nobre tratar de questões como gestão de equipes, captação de clientes ou marketing.

Finalizando, um escritório que possui tecnologia avançada, ferramentas gerenciais adequadas e rotinas de controle e revisão de atividades estará à frente da concorrência. O crescimento do escritório deve seguir sua capacidade de se gerir e a ciência da administração sugere hoje diversos instrumentos e métodos que possibilitam uma gestão eficiente. A solução para tantos problemas está na correta utilização desses instrumentos, preocupando-se com o planejamento estratégico e as necessidades de seus clientes.

Fonte: Conjur

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Gestão do Conhecimento como diferencial estratégico



Por Moisés Costa

“A Gestão do Conhecimento pode ser vista como uma coleção de processos que governa a criação, disseminação e utilização do conhecimento para atingir plenamente os objetivos da organização.” Esse conceito, extraído do livro Gerenciando Conhecimento de Jayme Teixeira, mostra o quão dependente de uma eficiente gestão do conhecimento estão as organizações hoje. A correta prática de Gestão do Conhecimento (GC) deve fazer parte do ambiente de qualquer organização, independente de seu porte. Do comércio à indústria é preciso adotar as melhores práticas para gerir o capital intelectual disponível, ou até para descobrir talentos.

A GC nos remete a um emaranhado de conceitos, pois por ainda ser considerada uma área nova e ser um elo entre tecnologia da informação e administração, têm seu berço na estratégia, cultura e sistemas de informação de uma organização. O campo do conhecimento é muito amplo, visto que compreendê-lo nos remete a epistemologia, que por sua vez é um ramo da filosofia. Isso é, ao descobrirmos cada vez mais as práticas de Gestão do Conhecimento, nos deparamos com conceitos e fatos condizentes com o gênero humano. Ou seja, para entendermos não só a idéia de “conhecimento”, como também as práticas para geri-lo, precisamos também compreender as pessoas.

Na edição n.º 162 da revista Você S.A, o artigo 10 maiores erros dos líderes novatos[1] mostra os principais erros cometidos por jovens gestores, mas me arrisco a dizer que são cometidos também por gestores de maior experiência. Erros como Baixo foco em pessoas, Descuidar-se da comunicação, Comportar-se como colega e Dificuldade em dar feedback fazem parte do cotidiano de muitos gerentes e executivos. Pelo menos sete entre os 10 erros apontados estão relacionados à gestão de pessoas. Com a economia em crescimento, abrem-se vagas e falta gente qualificada. A saída é promover internamente os jovens talentos. Normalmente esses jovens não possuem vivência suficiente para conduzir pessoas, e dessa forma não conseguem ir além da administração de recursos tangíveis. 

FIGUEIREDO, em seu artigo A gestão do conhecimento. O que há de mais humano na gestão[2], explora o que ele julga ser a parte submersa do iceberg, pontuando algumas atuações não tão mencionadas como práticas, mas que são essenciais para uma eficiente Gestão do Conhecimento.
A primeira delas é a caça ao desperdício de talentos. É comum percebermos colaboradores atuando em posições que nada tem a ver com suas aspirações e potencial. Situações como essa podem resultar em prejuízos, já que por um lado o colaborador encontra-se atuando em local indevido ou incompatível com seu talento, estando totalmente desmotivado. Por outro, a empresa é negligente diante da existência de postos mais apropriados aos interesses próprios e ao desenvolvimento e desempenho desses colaboradores. Isso é puramente contraproducente e incoerente visto pelos olhos da GC. Além disso, os talentos, quando descobertos, não são treinados com antecedência. 

O talento é a chave das organizações, principalmente quando são formados internamente. As organizações precisam desenvolver formas de localizar colaboradores e recursos mal alocados e trata-los à luz da GC. Pessoas desempenhando trabalhos paralisantes e submetidos à rotina jamais poderão trabalhar seu potencial, pois não basta ter atitude se não tiver conhecimento. Muitos gerentes hoje exigem mais iniciativa e atitude de seus subordinados. Porém, atitude sem conhecimentos e habilidades é um perigo às organizações, pois uma coisa está diretamente vinculada à outra na obtenção do sucesso e da sustentabilidade. Precisamos identificar aquelas pessoas que tem mais facilidade em ensinar e solicitar ajuda. Essas são pessoas voltadas para o aprendizado, podendo exercer papel intermediador entre os dois extremos da estrutura organizacional. A comunicação eficiente parte dos responsáveis pela empresa devendo passar pelos líderes de grupo e atingindo os colaboradores. Esses intermediadores possuem uma postura aplicada ao compartilhamento e disseminação do conhecimento agregado na organização. Treinar os colaboradores para o compromisso com a coletividade e se apresentarem sempre disponíveis para aprender e ensinar algo, valorizando os que sabem e os que pedem ajuda, é papel do líder.

As organizações precisam compreender que o “patrimônio” intelectual da companhia pode ser usado por ela, mas não obtido. Esse conhecimento tácito está na mente das pessoas, e elas só farão uso dele quando se sentirem confortáveis e satisfeitos com as políticas impostas. Tratar adequadamente o capital intelectual é hoje o diferencial no campo da estratégia, pois a soma desse conhecimento mobilizado (colocado em ação) é o que determina a maneira de se atuar no mercado, de criar inteligência competitiva, de se relacionar bem com cliente, fornecedor e pares, de investir adequadamente em tecnologia e de manter os valores de uma organização, priorizando sua marca. A gestão desse capital intelectual deve se certificar do correto uso do saber para alcançar os objetivos organizacionais. Se não, de nada adiantará.


[1] - “Revista Você S.A, v. 162, p. 56-62, 2011.”
[2] - “Revista GCBrasil, v. 01, p. 11-14, 2006.”